




Sérgio Britto durante show em Sorocaba, em Maio (Jota Abreu)
Em entrevista exclusiva, Sérgio Britto dos Titãs afirma: “O show em Salto de Pirapora será inesquecível!”
Apresentando a turnê do disco “Sacos Plásticos”, lançado em 2009, os Titãs tocam em Salto de Pirapora, de graça, no próximo dia 26, às 22h30, no Recinto de Festas, durante a Festa do Peão e as comemorações do 104º aniversário da cidade. Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto são os 4 integrantes que restaram da formação original da banda, que tinha 8 membros. Arnaldo Antunes (em 1993), Nando Reis (em 2002) e mais recentemente Charles Gavin (em 2010) deixaram a banda para se dedicar a projetos paralelos. O guitarrista Marcelo Frommer morreu atropelado em 2001. Mesmo assim, a banda com quase 30 anos de carreira promete agitar a cidade com um show “inesquecível”, conforme o tecladista e vocalista Sérgio Britto promete em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Liberdade. O artista fala da primeira visita a Salto de Pirapora, sucessos, motivação, novos artistas, entre outras coisas. Confira.
Jornal Liberdade - É a primeira vez que vocês se apresentam em Salto de Pirapora. Embora tenham acontecidos alguns shows de rock em edições anteriores da Festa do Peão (Ira!, Ultraje a Rigor e Detonautas já estiveram aqui) como é tocar em uma cidade com certa inclinação para a música sertaneja e em um evento onde predomina esse tipo de público?
Sérgio Britto - Já nos acostumamos a fazer isso. Sabemos que o público das feiras agropecuárias não é inteiramente nosso. Isso às vezes torna o show ainda mais instigante, pois temos de nos esforçarmos para conquistar a plateia. Não chega a ser um problema: em nosso repertório há muitas músicas que mesmo quem não gosta de rock sabe cantar de cor.
JL - O que a turnê “Sacos Plásticos” traz de novidade para o público que acompanha os Titãs?
SB - Pra começar, a formação: o Branco (Mello) tem tocado baixo (coisa que eu faço também nas músicas que ele canta) e o Paulo (Miklos) a guitarra base. Fora isso, estamos trabalhando com um baterista novo, Mario Fabre. Nessa turnê estamos revezando o repertório de músicas antigas. Aí em Salto de Pirapora, por exemplo, pretendemos tocar “Família”, “Comida” e “32 dentes” que não tocávamos há algum tempo.
JL - E quais as músicas o público sempre pede?
SB - “Polícia”, “Marvin”, “Epitáfio”, “Diversão”, etc.
JL - Alguma coisa mudou no show com a saída do baterista Charles Gavin?
SB - Basicamente nada. Se mudou alguma coisa, acho que foi pra melhor. Sempre que a gente encara um novo desafio, se enche de vontade e garra. Isso acaba tornando o show mais vibrante.
JL - “Sonífera Ilha” (Três Irmãs), “Antes de Você” (Caras e Bocas), “Pelo Avesso” (Cama de Gato), “Por que eu sei que é amor” (Cama de Gato), “Polícia” (Força Tarefa) e “O Pulso” (SOS Emergência) são apenas algumas músicas dos Titãs que foram trilha sonora de programas de televisão nos últimos 2 anos. Como conquistar tanto prestígio?
SB - São quase trinta anos trabalhando ininterruptamente. A cada trabalho que fazemos, procuramos fazer o melhor. Acho que isso acabou sendo reconhecido.
JL - Com tantos anos de carreira, e o grupo numericamente reduzido pela metade, onde vocês encontram vigor para seguir fazendo rock?
SB - A gente faz o que gosta, isso torna tudo mais fácil.
JL - Uma das características marcantes dos Titãs é a personalidade individual dos integrantes e seus múltiplos talentos. Como vão os trabalhos paralelos de vocês?
SB - Não posso falar pelos outros, mas eu vou lançar um novo disco solo no segundo semestre deste ano.
JL - Há uma pluralidade de bandas surgindo, muitas delas incentivadas pela facilidade de divulgação na internet. Como você vê essa nova realidade de mercado, e o que acha das recentes produções de rock/pop no Brasil?
SB - Acho que, infelizmente, o mercado não dá conta de toda a pluralidade que existe. Muito por conta, é claro, da pirataria, que devastou a indústria do disco. Isso acabou limitando o investimento em novos valores. Das coisas novas que tenho ouvido, o que mais me agrada e surpreende é o trabalho das novas cantoras. Gente como Maria Gadu, Marina de la Riva, Tiê, Céu, entre outras, têm trabalho sólido e muita criatividade.
JL - Mesmo com menos de um ano de turnê, os Titãs já fazem planos para novos trabalhos?
SB - Sim, normal. Antigamente costumávamos gravar um disco por ano. Hoje em dia ninguém faz mais isso... A nossa vontade é de registrar este show em DVD até o fim do ano.
JL - O que você diria ao pessoal de Salto de Pirapora que pretende ir ao show dia 26?
SB - Que compareçam todos. O show será inesquecível! Se você gosta ou gostou dos Titãs em alguma época da sua vida, venha! Não vai se arrepender.

Era um domingo, batizado da Ana Luiza (minha filha) e fomos fazer um almoço na casa de uma das minhas irmãs. Como a Ana Luiza dormiu no meu colo e a bagunça tava rolando solta (família reunida, já viu, né), me fechei na sala de TV e mudando os canais, parei no Multishow. Estava passando o DVD novo da Ivete Sangalo feito para o canal, chamado “Multishow Registro – Pode Entrar”.
Certa vez, num outro blog que eu tinha (ele ainda existe, mas nem escrevo lá), falei sobre a Ivete Sangalo: “Essa moça desperdiça a melhor voz e talento do país cantando axé”. Esse “axé” que falei, acho necessário especificar um pouco mais... vou tratá-lo aqui de “Música Pra Pular Brasileira”, a MPPB. Trocando em miúdos, coisas do tipo: “Aê, Aê, Pererê, Com Você. Aá, Aá, Tralalá, Vamos Pular. Tira o pé do chãããooo”. Considerações dadas. Voltemos ao sofá da casa da minha irmã...
Comecei a ver o especial da Ivete justamente por achar que ela é a cantora com o maior potencial de ser lembrada na história como a melhor deste momento que vivemos. Só não acho que ela já mereça isso. Andei vendo que vários blogs escreveram sobre este mesmo assunto que estou falando, e um deles falou algo que concordo: Me diga com propriedade, sem fanatismos de fã (com o perdão da redundância), qual disco da Ivete Sangalo vai ser uma referência histórica da MPB daqui vários anos? E por que? Eu, até mesmo por não ser fã dela, respondo sem pestanejar: nenhum. Mas esse “Pode Entrar” quaaaase consegue isso. E talvez seja o passo mais concreto que ela deu para conseguir isso num futuro.
É até um pouco contraditório. Ela canta muito. Tem uma musicalidade impressionante. Boa compositora. Tem carisma indiscutível. Então por qual motivo o nome da Ivete Sangalo ainda não está nos anais da música brasileira, como está o de Elis Regina (por exemplo)? Tenho uma resposta, que talvez seja a correta: ela canta muitas banalidades. Tem “ae ae” demais e pouca poesia. Conteúdo muito fraco. Mas, mais uma vez: “Pode Entrar” começa a derrubar esse estigma da Ivete. Mas, apenas começa...
Minha tese é de que ela é o Roberto Carlos de saias e baiano. E por dois motivos que vou tentar exprimir bem:
Primeiro: Ela é bem popularesca.
A Ivete Sangalo “canta o que o povo quer ouvir”. Ela põe todo mundo pra dançar, pular, levantar poeira. E não fala nada de interessante. Não coloca as pessoas pra pensar. É SÓ diversão. E definitivamente, sou do time “a gente quer comida, diversão e ARTE”. Mas refletindo um pouco mais, na época em que era líder da Jovem Guarda, o Roberto Carlos era um produto mais vendável até do que a Ivete é hoje. E cantava músicas tão (ou mais) fúteis que ela. E, confesso, hoje acho muitas delas geniais. “O broto quis andar no calhambeque, bib dubiu, dubi dubiii” é fantástico... Talvez daqui uns 30, 40 anos, um blogueiro metido a entendido escreva que “Levantou Poeiraaaa” também é genial. E quando isso acontecer, talvez a Ivete esteja sentada num banquinho, apenas com violão cantando umas baladas “recheadas de conteúdo”.
Mas vamos ao segundo motivo, que acho mais interessante.
Segundo: Ela é conciliadora.
É neste ponto que se firma a minha tese de que a Ivete será o que o Roberto Carlos é hoje. Vamos pensar: daqui uns anos, por razões óbvias do tempo que não para de passar, não teremos mais o “Rei”. Minha opinião é que esse lugar será ocupado pela Ivete Sangalo, EXATAMENTE por ela ser uma artista, além de talentosa, boa cantora, compositora e outros eteceteras, conciliadora. E percebi isso mais do que nunca nesse CD/DVD “Pode Entrar”.
TODOS os brasileiros estão acostumados a ver o Especial de Fim de Ano do Roberto Carlos, e as maiores novidades sempre são as participações especiais. Ele já cantou com os clássicos Milton Nascimento, Tom Jobim, Gal Costa. Com rockeiros Titãs e Jota Quest. Sertanejos Almir Sater, Sérgio Reis, Chitãozinho & Xororó. Sambistas Neguinho da Beija-Flor e Alcione. Mas também já dividiu vocais com podreiras do naipe de MC Leozinho (Ela só pensa em beijar).
A Ivete, neste novo trabalho, tem como convidados nomes fortes como Lulu Santos, Marcelo Camelo e uma diva: Maria Bethânia. Tem também um cara chato, que era esperado, pois canta como substituto dela: Saulo Fernandes, da Banda Eva. Tem ainda o Carlinhos Brown (compositor de 3 músicas do DVD) e a irmã da Ivete, Mônica de San Galo (assim separado mesmo) que canta muito bem. A surpresa fica por conta da banda de forró-ultra-giga-mega-blaster-brega “Aviões do Forró”. Quando você imaginou ver Maria Bethânia e Aviões do Forró no mesmo DVD? Quero deixar MUITO CLARO que não gosto nada de Aviões do Forró. Mas esse estilo representa sim parte da cultura nacional, especificamente da região nordeste do país, que tem características culturais muito peculiares.
Essa coisa conciliadora da Ivete Sangalo tem dois possíveis destinos. Se for um, não será o outro. Ou a baiana jamais vai conseguir ser respeitada pelo que se considera uma música “intelectual”, a MPB de fato. Ou ela vai elevar essa podreira de forró nojento ao nível de “música respeitável”. Prefiro acreditar que vai acontecer igual com o Roberto Carlos: a parceria se dá apenas para demonstrar simpatia. O Rei continua no auge. E o MC Leozinho? Alguém viu?
Sobre o DVD em si.
Gostei BASTANTE de algumas músicas. Cito e recomendo:
“Teus Olhos” – Com um quê de música havaiana, melodia doce, que já tem se tornado uma característica do Marcelo Camelo, o compositor da música.
“Meu maior presente” – Composição de Ramon Cruz. Belo arranjo, harmonia bem construída. Ivete cantando bem legal, acompanhada de backings muito bem arranjados. Refrão interessantíssimo. Vídeo Abaixo!
“Completo” – Ivete canta com a irmã Mônica de San Galo. As duas cantam muito bem uma música de letra doce, poesia bem construída e som agradável.
“Viver com Amor” – Mais uma do Ramon Cruz. Uma música agitada, até vai no estilo MPPB, mas é eficiente.
“Vale Mais” – embora tenha a participação nada importante de Saulo Fernandes, é uma boa música.
Me parece mesmo que quem é vivo sempre aparece. Os Titãs reaparecem depois de seis anos sem um disco de inéditas e apresentam “Sacos Plásticos” (Arsenal Music – R$ 27), produzido por Rick Bonadio, famoso por trabalhar com artistas diversos e populares demais como NXZero, ET e Rodolfo, Rouge, Bro’z, Mamonas Assassinas, entre outros. Em contrapartida, Bonadio também já trabalhou com Ira!, Charlie Brown Jr., e alguns outros sons audíveis.
A intenção principal da banda foi revisitar com frescor as influências que eles mesmos criaram ao longo de 27 anos de carreira. Claramente “amor” é o tema desse novo trabalho de Branco Mello, Charles Gavin, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto.
A começar por “Amor por dinheiro”, a faixa que abre o CD. Essa não é do tipo romântica. Pelo contrário, Sérgio Britto grita (no seu melhor estilo) “acima da lei de Deus, o dinheiro!”. Ouvindo a música já fica nítida a sensação de que os Titãs de fato voltaram. Ao mesmo tempo nota-se a novidade: a banda incorporou elementos eletrônicos, quase que em substituição à bateria. Embora seja uma ótima canção, esta é uma das faixas onde falta a força de Charles Gavin, como eles próprios dizem, o “motor da banda”. A esperança fica para quando ela for para o palco, onde apenas os cinco irão executar as músicas, assim como aconteceu no CD.
“Antes de Você” (ouça no fim do texto) é a faixa com mais apelo comercial, e que por isso rende algumas comparações com as bandas de emocore. Embora seja razoavelmente chorosa, é um rock firme, com guitarras marcadas e apenas alguns arranjos da introdução parecem mal colocados. Importante ressaltar, há cerca de 1 ano, a MTV mostrou um especial com os Titãs em estúdio se preparando para esse disco, e “Antes de Você” tinha outra cara. Era mais madura e tinha uma melodia elaborada. A atual versão é boa, mas a antiga era muito melhor. Por não ter a cara dos Titãs (e sim do Paulo Miklos) destoa do conceito do disco.
Em seguida os Titãs apresentam a faixa-título. “Sacos Plásticos” é um ska em tom menor, que fala sobre o consumo exacerbado que muitas vezes transforma pessoas
“A Estrada” finalmente traz o som heavy dos Titãs. Dessa vez Charles Gavin desce o braço na batera. E a novidade fica por conta da brilhante condução do (tradicionalmente) tecladista Sérgio Britto em um baixo bem equalizado e dosado para o que o rock pede.
Outra canção de peso é “Agora Eu Vou Sonhar”. Embora pareça ter saído do bom “Eu Sou
O momento alto astral do disco é “Quanto Tempo”. A poesia-reflexão de meia-idade de Tony Bellotto ganha um plus em uma melodia grudenta. O refrão (O tempo passa tão depressa / Logo acaba, mal começa/ Eu tenho pressa / Não vou olhar pra trás) fica impregnado na mente de quem ouve. É a primeira vez que os três vocalistas dividem uma canção.
Duas faixas chamam a atenção pela ousadia nas tais programações: “Problema” e “Múmias”. A primeira é uma parceria de Paulo Miklos com Liminha e o ex-titã Arnaldo Antunes. Lembra as boas dissecações de Arnaldo sobre apenas uma palavra, neste caso, o título. Já a segunda faz uma brincadeira irônica com o fato de que a banda vive cantando suas músicas antigas. Nas duas, cantadas por Paulo Miklos, os elementos eletrônicos agora sim estão na medida, e lembram grandes canções da banda como "Comida", "Miséria", "Diversão", etc. Pode-se inclusive ouvir um backing gritando “O quê” em uma delas.
Presente naquele especial da MTV de 1 ano atrás, “Não espere prefeição” também sofreu alterações. Mas neste caso para melhor. O estilo pesado também está presente nesta música que tem um pequeno desacerto: o solo de guitarra da introdução usa um som trêmulo muito chato. A exemplo de “A estrada”, esta música está em um tom mais baixo do que tradicionalmente Branco Mello costumava cantar. Mas a melhor dele é “Deixa Eu Entrar”, assinada por Britto, Bellotto e Andreas Kisser (Sepultura), que também toca na faixa. Branco volta a fazer a voz cavernosa beirando o gutural, a qual não fazia desde os tempos de Titanomaquia (1994). Ouvidos atentos para o solo de Andreas. Britto também toca baixo nessa.
Se o tema do disco é amor, e os Titãs de ultimamente andavam fazendo boas baladas, elas não poderiam faltar neste novo disco. A duas mais bonitas têm arranjos de cordas gravados Nashville. “Por Que Eu Sei Que É Amor” traz um hammond suave com um agradável violão de aço na introdução. Os Titãs se refinaram com acordes com sétima aumentada. Mais um refrão que gruda na memória. Talvez pudesse ter sido a melhor escolha para primeira música de trabalho. A outra com cordas é “Deixa Eu Sangrar”. Uma emocionante interpretação de Sérgio Britto para uma canção composta por ocasião do falecimento de sua mãe em
Ponto negativo para duas músicas: na introdução de “Quem Vai Salvar Você do Mundo?” um arranjo fraquinho de piano que vai e volta em três notas acompanha boa parte da música. Ela também tem as cordas de Nashville e só vale escutar inteira por causa disso. O problema é que depois da frase “se a vida é para mais ninguém”, vem um breque que parece anteceder um final apoteótico, como aquele de “Nem 5 Minutos Guardados”. Mas o que vem em seguida é exatamente aquele pianinho da introdução. Outra fraca é “Nem Mais Uma Palavra”. Um reggae que em alguns momentos lembra The Police. Mas só em alguns momentos. A letra é fraca e a música dá sono.
Enfim, “Sacos Plásticos” é um disco muito mais titânico do que os dois últimos de inéditas que a banda fez. Individualmente todos eles foram muito bem nas gravações e com muito êxito conseguiram fazer um grande disco. Mas ficaram um pouco escondidos atrás dos samplers de Bonadio. Vale pensar que a inovação está exatamente na experimentação. Mas o exagero é o único pecado desse que poderia ser um álbum épico. Contudo como os próprios Titãs advertem: “não espere perfeição”. E a imperfeição sempre foi o grande charme da mais importante banda do rock brasuca.
Ouça "Antes de Você" como era antes da gravação original (Bastidores MTV - Créditos: Lismar)
Titãs - Antes de Você (antes da gravação final)
Ouça "Antes de Você"

De uns anos para cá, estamos sofrendo com a onda de artistas religiosos dominando a grande mídia. Eles vendem muitos discos, livros, aparecem em programas de TV, e às vezes até fazem os seus próprios.
Vou falar aqui sobre a grande mídia veicular música religiosa. Escrevo dessa vez, mais do que apenas pela música, mas por 3 atributos que me credenciam a falar sobre o assunto: 1) Sou jornalista e comunicador; 2) Sou um músico amador (inclusive toquei na Igreja por muito tempo); e 3) Sou católico.
Ver aquilo que chamamos de “Palavra de Deus” atingir a muitas pessoas sempre foi (e continua sendo) um anseio meu. Mas esse conteúdo jamais pode ser comprometido por superficialidades. Mas já já eu volto nesse assunto.
O pioneiro foi José Fernandes de Oliveira, o padre Zezinho. Ele é um cara muito artístico com grandes noções teatrais e musicais e que escreve de forma muito admirável. Ele jamais tornou discutível o seu sacerdócio e aquilo que isso representa, em nome da sua arte. Fez o que devia ter feito.
A partir do momento que alguns padres passaram a querer dar “show de talento”, (muitas vezes inexistente) o caminho aberto pelo Zezinho se desvirtuou.
O Padre Marcelo Rossi é um cara do qual não duvido ter boa intenção. Ele quis levar mesmo a “Palavra de Deus” para as pessoas. Mas além de não ser nada artista, ele se sujeitou a fazer algumas coisas que expuseram a instituição “Igreja Católica” a situações vergonhosas. Me lembro de vê-lo cantando no “Planeta Xuxa” ao lado das paquitas com os seios de fora. Ou ainda se prender numa roda louca em um “Teleton” no programa do Gugu, e virar de cabeça para baixo... Alguém pode me responder como ele evangelizou fazendo isso?
E o cara do momento é o campeão de vendas Padre Fábio de Melo. Além de cantor e compositor (de qualidade duvidosa) ele tem uma formação acadêmica extensa, que o credencia para escrever os seus 6 livros. É pós-graduado em educação e mestre em antropologia teológica.
Pra começar. Detesto antropologia. Principalmente essa aplicada às empresas. Luiz Almeida Marins Filho (de quem também não gosto) me falou dia desses numa entrevista que “antropologia é a ciência da observação”. Na minha visão, é observação para depois manipular. E me parece que o Padre Fábio tem feito isso com os fiéis.
Acho pobre o conteúdo dele (assim como o dessas palestras motivacionais). Tudo manjado, tudo óbvio, mas com uma maquiagem de novo, de esplendor, de impressionista. Aliás, maquiagem é bem a faceta do padre. A capa do CD “Enredos do meu povo simples” (2007) é de dar nojo. A pose dele é compreensível se fosse um disco do Alexandre Pires ou do Fábio Jr. Não o disco de um padre! Deixando a música um pouco de lado, e falando da Igreja: muitas vezes vi gente dizer que as mulheres dão em cima dos padres. No caso desse, ele me parece tentar provocar isso na barba fininha, nas bocas entreabertas, olhares penetrantes, botox, pó, base, etc. (Vide Google Imagens – Fabio de Melo) Ao ver a capa do “As estações da vida” (2001), quando ele ainda era seminarista, não consigo imaginar que ele tentou evitar ser “sensual”. Vaidade (atributo que ele admite ter) é pecado segundo alguma passagem bíblica que não me vem à memória agora. Se o padre não quer atrair as mulheres (ou quem quer que seja), qual a finalidade disso tudo? Isso me lembra o convite do Raul Gil ao padre, na ocasião de sua visita ao programa da Band. Como de costume, o apresentador leva os artistas em uma churrascaria. Mas com o nome do lugar, ficou estranho o convite feito a um sacerdote. “Padre, vamos hoje ao Prazeres da Carne?”.
Durante a confecção deste texto, coincidentemente tive uma descoberta ainda mais absurda. A sua música “Vida” faz parte da trilha sonora da novela “Caras e Bocas” na Rede Globo! A novela das sete é tradicionalmente conhecida por humor e sensualidade.
Talvez ele tenha a desculpa da Evangelização. Mas não acho que a Palavra de Deus precise de um padre bonito, maquiado e sensual para ser propagada. Ela não precisa estar na novela das sete. Não é necessário gravar CD’s, DVD’s, superproduções, canhões de luz, fumaça artificial, guitarras estridentes, etc. Isso é acessório e não pode comprometer a Palavra de Deus. Foram mais de 2000 anos sem precisar de toda essa parafernalha e por que a partir de agora isso seria indispensável?
Padre Fábio de Melo, onde vamos parar? Quando vamos deixar de jogar pérolas aos porcos? Evangelização é uma coisa. Banalização da imagem da Igreja é outra! Em Jeremias, capítulo
PS: Falei tanto sobre religião que acabei esquecendo de falar sobre música. Exceto o seu primeiro disco, o padre compõe e canta mal pra caramba... ao vivo, é deprimente ver o quanto ele desafina.