terça-feira, 30 de novembro de 2010

Basta Paul McCartney



Texto publicado no Jornal Diário de Sorocaba do Domingo, 28 de novembro de 2010.

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Tarde de segunda-feira (22). Vou comprar capa de chuva, pois chove bastante desde a manhã. Não é um dia qualquer. À noite, pela primeira vez, verei pessoalmente o compositor
mais bem sucedido da história da música pop mundial, Paul McCartney.

O motivo da minha ida ao show? Paul e cia. são responsáveis pelo padrão estético de tudo que foi produzido pelos músicos de rock que vieram depois. Acho suficiente para querer conferir o som do inglês. Talvez sua última visita ao Brasil.

Voltando à compra da capa de chuva, pergunto pela vestimenta a duas vendedoras que parecem ser mãe e filha. Quando explico o que farei naquela noite (ir ao show do Paul), ouço um inusitado “ahhh... Quem?”. Respondo: “Ele era dos Beatles, está no Brasil e fez um show no Morumbi que passou ontem na TV”. Uma delas, ainda adolescente, pergunta: “Um loiro? Dos Estados Unidos?”.

A curta conversa com as vendedoras me faz refletir: como pode alguém nunca ter ouvido falar em Paul McCartney, um dos maiores nomes da história da música? Enfim, compro minha capa de chuva sem mais questionamentos.

Chego ao Morumbi faltando uma hora para o show, e me deparo com fila, vendedores e a inevitável ansiedade. Observo a amplitude e diversidade do público. “Capa, capa, capa...”, repetem os incessantes vendedores de capa de chuva. A fila não anda, mas o tempo voa. Na hora marcada consigo me aproximar do portão e ouvir o agito do público - ele já está no palco e eu passando pela revista! Por sorte, Paul só começa a cantar a primeira quando eu já estava dentro do estádio: era “Magical Mistery Tour”. Respiro aliviado, consegui!

O palco é imenso, com 26 metros de altura. Dois telões gigantes mostram imagens do beatle. Vencido o complicado desafio de encontrar um lugar menos tumultuado, Paul já terminara de cantar “Jet” e brinca com o público: “Tudo bem? Tudo bem in the rain? Tudo bem in the rain?”, misturando português e inglês. Ele cita Jorge Ben Jor - “Chove chuva” – e em seguida ataca um dos maiores sucessos do quarteto inglês: “All My Loving”.

É quando me junto às vozes dos cerca de 64 mil presentes e finalmente começa, de fato, o show para mim. O som dos metais de “Go to get you into my life” vai direto na alma - muito embora não seja reproduzido por metais de verdade, mas pelo teclado de Paul “Wix” Wickens. Talvez minha única decepção. Um mega astro da música não poderia levar um saxofonista, um trompetista e um trombonista em sua turnê?

Reclamações à parte, segue o baile. E que baile! São 3 horas de sucessos mundiais indiscutíveis: “I'm looking through you”, “Something”, “Band on the run”, “Paperback writer”, “Day Tripper”, “Get Back”. Sir McCartney emociona com “The long and winding road”, “Blackbird”, “Here Today” (para seu amigo John Lennon), entre outras. Em “Live and let die”, um espetáculo de fogos de artifício impressiona e ilumina o estádio. Tem música para pular, gritar, dançar, pensar, sorrir, chorar...

Ao anunciar “My Love”, feita para sua falecida esposa Linda, Paul dedica a canção também aos namorados que o prestigiam. Aproveito o clima de romance para ficar abraçadinho com a minha esposa. Começa “Ob-la-di Ob-la-da” e lembro da minha filha de um ano e meio que ficou em casa e adora quando esta música toca no carro. O show é uma viagem por todas as sensações - mesmo com muitos sucessos de fora!

Paul McCartney não compôs simples músicas, algumas delas são obras primas. É por isso que ele é uma das personalidades mais importantes do século XX. E presenciar a execução de criações de arte tão preciosas pelo próprio autor é sublime. Isso se reflete na postura do público: por mais clichê que possa parecer, homens, mulheres, adolescentes, jovens, adultos, idosos, crianças, e até uma freira (Isso mesmo! Eu vi!) contemplam o talento de um artista revolucionário!

Por mais distintas que fossem as pessoas, elas se juntam para cantar os versos de “Eleanor Rigby”, “Let It Be”, “Yesterday” e “Hey Jude” - esta última, em especial, reserva o momento ápice do show. Qualquer um consegue cantar o contagiante, repetitivo e incansável “ná ná ná” que encerra a canção. E Paul se aproveita disso para levar o estádio inteiro a celebrar aquela melodia simples, porém magnífica.

Para onde olho, vejo exaltação. E se fecho os olhos para apenas ouvir as vozes, o sentimento é de que todos se juntam naquela sinfonia para se permitir o mesmo prazer: balbuciar o nada, apenas saboreando o som que invade os ouvidos. A harmonia parece conduzir a um instante de conciliação no qual o mundo inteiro se une para cantar - inclusive as vendedoras de capa de chuva, que mal sabem quem é o beatle. Sim, lembro das coitadas naquela hora e penso em uma frase que substituiria este texto inteiro: todo ser humano deveria se permitir a emoção de ver Paul McCartney ao vivo. E basta.

Minha esposa e eu (à direita na foto) com amigos no show

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Entrevista Sérgio Britto


Fiz essa entrevista para o jornal Liberdade de Salto de Pirapora, onde os Titãs tocam no próximo sábado (26) de graça durante a Festa do Peão. Confiram essa entrevista exclusiva. Para ler no jornal, baixe o PDF clicando aqui.

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Sérgio Britto durante show em Sorocaba, em Maio (Jota Abreu)

Em entrevista exclusiva, Sérgio Britto dos Titãs afirma: “O show em Salto de Pirapora será inesquecível!”

Apresentando a turnê do disco “Sacos Plásticos”, lançado em 2009, os Titãs tocam em Salto de Pirapora, de graça, no próximo dia 26, às 22h30, no Recinto de Festas, durante a Festa do Peão e as comemorações do 104º aniversário da cidade. Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto são os 4 integrantes que restaram da formação original da banda, que tinha 8 membros. Arnaldo Antunes (em 1993), Nando Reis (em 2002) e mais recentemente Charles Gavin (em 2010) deixaram a banda para se dedicar a projetos paralelos. O guitarrista Marcelo Frommer morreu atropelado em 2001. Mesmo assim, a banda com quase 30 anos de carreira promete agitar a cidade com um show “inesquecível”, conforme o tecladista e vocalista Sérgio Britto promete em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Liberdade. O artista fala da primeira visita a Salto de Pirapora, sucessos, motivação, novos artistas, entre outras coisas. Confira.

Jornal Liberdade - É a primeira vez que vocês se apresentam em Salto de Pirapora. Embora tenham acontecidos alguns shows de rock em edições anteriores da Festa do Peão (Ira!, Ultraje a Rigor e Detonautas já estiveram aqui) como é tocar em uma cidade com certa inclinação para a música sertaneja e em um evento onde predomina esse tipo de público?

Sérgio Britto - Já nos acostumamos a fazer isso. Sabemos que o público das feiras agropecuárias não é inteiramente nosso. Isso às vezes torna o show ainda mais instigante, pois temos de nos esforçarmos para conquistar a plateia. Não chega a ser um problema: em nosso repertório há muitas músicas que mesmo quem não gosta de rock sabe cantar de cor.

JL - O que a turnê “Sacos Plásticos” traz de novidade para o público que acompanha os Titãs?

SB - Pra começar, a formação: o Branco (Mello) tem tocado baixo (coisa que eu faço também nas músicas que ele canta) e o Paulo (Miklos) a guitarra base. Fora isso, estamos trabalhando com um baterista novo, Mario Fabre. Nessa turnê estamos revezando o repertório de músicas antigas. Aí em Salto de Pirapora, por exemplo, pretendemos tocar “Família”, “Comida” e “32 dentes” que não tocávamos há algum tempo.

JL - E quais as músicas o público sempre pede?

SB - “Polícia”, “Marvin”, “Epitáfio”, “Diversão”, etc.

JL - Alguma coisa mudou no show com a saída do baterista Charles Gavin?

SB - Basicamente nada. Se mudou alguma coisa, acho que foi pra melhor. Sempre que a gente encara um novo desafio, se enche de vontade e garra. Isso acaba tornando o show mais vibrante.

JL - “Sonífera Ilha” (Três Irmãs), “Antes de Você” (Caras e Bocas), “Pelo Avesso” (Cama de Gato), “Por que eu sei que é amor” (Cama de Gato), “Polícia” (Força Tarefa) e “O Pulso” (SOS Emergência) são apenas algumas músicas dos Titãs que foram trilha sonora de programas de televisão nos últimos 2 anos. Como conquistar tanto prestígio?

SB - São quase trinta anos trabalhando ininterruptamente. A cada trabalho que fazemos, procuramos fazer o melhor. Acho que isso acabou sendo reconhecido.

JL - Com tantos anos de carreira, e o grupo numericamente reduzido pela metade, onde vocês encontram vigor para seguir fazendo rock?

SB - A gente faz o que gosta, isso torna tudo mais fácil.

JL - Uma das características marcantes dos Titãs é a personalidade individual dos integrantes e seus múltiplos talentos. Como vão os trabalhos paralelos de vocês?

SB - Não posso falar pelos outros, mas eu vou lançar um novo disco solo no segundo semestre deste ano.

JL - Há uma pluralidade de bandas surgindo, muitas delas incentivadas pela facilidade de divulgação na internet. Como você vê essa nova realidade de mercado, e o que acha das recentes produções de rock/pop no Brasil?

SB - Acho que, infelizmente, o mercado não dá conta de toda a pluralidade que existe. Muito por conta, é claro, da pirataria, que devastou a indústria do disco. Isso acabou limitando o investimento em novos valores. Das coisas novas que tenho ouvido, o que mais me agrada e surpreende é o trabalho das novas cantoras. Gente como Maria Gadu, Marina de la Riva, Tiê, Céu, entre outras, têm trabalho sólido e muita criatividade.

JL - Mesmo com menos de um ano de turnê, os Titãs já fazem planos para novos trabalhos?

SB - Sim, normal. Antigamente costumávamos gravar um disco por ano. Hoje em dia ninguém faz mais isso... A nossa vontade é de registrar este show em DVD até o fim do ano.

JL - O que você diria ao pessoal de Salto de Pirapora que pretende ir ao show dia 26?

SB - Que compareçam todos. O show será inesquecível! Se você gosta ou gostou dos Titãs em alguma época da sua vida, venha! Não vai se arrepender.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

E lá se vai mais um...

Tietando Charles Gavin, no lançamento do filme dos Titãs


Há praticamente uma semana, dois acontecimentos quase simultâneos permearam meus pensamentos. A primeira delas (e para mim, mais importante) foi que pela primeira vez minha filha balbuciou de forma mais clara a palavra “papai”. Momento emocionante, principalmente quando se trata de sua primeira filha. Antes, para se referir a mim, ela falava algo como “papapapa” seguindo de sons de beijinhos, afinal de contas, eu sempre encho ela de beijos.

O outro acontecimento, este sim ligado ao assunto deste blog, foi o desligamento dos Titãs do baterista Charles Gavin. Como meus leitores devem saber, sou admirador confesso desta que considero a melhor banda de rock do Brasil. E por causa disso, essa notícia naturalmente me causou certa chateação e desapontamento. Até porque, nos últimos tempos, com esta já são 4 baixas na banda: Arnaldo Antunes (saiu em 1992), Marcelo Frommer (morreu em 2001), Nando Reis (saiu em 2002) e agora Charles Gavin.

Em uma carta dirigida aos fãs, Charles justificou sua saída da banda, associando-a a um esgotamento físico e mental da “loucura” da estrada e dos shows, causado talvez pela sua idade, quase 50 anos. Nos bastidores, circulam rumores de que um dos motivos determinantes para sua decisão de largar a banda, é não ter acompanhado o crescimento de suas filhas, devido à rotina constante de apresentações e viagens com os Titãs.

Alguns fatos mostram que Charles Gavin era admirador de Charlie Watts (baterista dos Rolling Stones, em atividade aos 69 anos), e de todos os Titãs, foi o que menos se desgastou com uso excessivo de drogas ou bebidas (sim, ele é quase “careta”). Portanto, idade não parece ser o motivo mais justo (e verdadeiro) de sua saída. Talvez o interesse em outros trabalhos, como suas garimpagens e remasterizações de clássicos da MPB, seja uma justificativa mais plausível. Desentendimentos artísticos e/ou administrativos com os Titãs? Talvez também.

No entanto, permito-me firmar a outra hipótese. O anúncio oficial de seu afastamento da banda se deu em 12 de fevereiro. Eu, já tinha informações extra-oficiais sobre isso desde o dia 8, quando também soube dos possíveis motivos paternais de Charles Gavin. Mas até o anúncio da banda, eu achava tudo exagero. Não encontrava justificativa que inocentasse o compositor da minha música preferida (“Estado Violência” – Cabeça Dinossauro – 1986) da minha banda preferida em colocar o futuro dela em risco, por “problemas pessoais”. Mas ao chegar em casa, exatamente naquele mesmo dia, e pela primeira vez ouvir a minha princesinha me chamar, entendi o que talvez seja mesmo o maior motivo da saída do baterista. É certo que os outros Titãs também são pais. Sérgio Britto, por exemplo, tem uma filha bem novinha. Mas talvez eles tenham conseguido conciliar melhor as funções de pais e astros de rock. Enquanto que o baterista, aparentemente, não. Uma famosa frase já diria: “cada um é cada um...”.

Saber que os Titãs continuarão, e com um outro excelente baterista, conforta um pouco a sensação de que sua banda está sendo dilacerada. Da mesma forma, penso que os 4 que hoje continuam, formam a espinha dorsal da banda. Sinceramente, não trocaria nenhum dos 4 atuais membros, por algum dos outros 4 que já não tocam na banda. Portanto, aqueles que ficaram, representam a alma dos Titãs, e é exatamente isso que possibilita a sua continuidade. Sem contar que os Titãs sempre adoraram se reinventar. É uma banda cheia de fases. E a partir de agora, será apenas mais uma fase dos mesmos Titãs. Ufa! Felizmente não foi agora que acabou.

Ao Charles Gavin, mesmo lamentando sua saída, fica o meu muito obrigado por giros, levadas e porradas proporcionadas nesse tempo todo de rock’n roll. Embora eu tenha ficado decepcionado, devo admitir, Charles, quando se ouve “papai”, qualquer um se desmancha. Valeu, MOTOR DA BANDA!


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Daniela Mercury e o Surfista


ESTOU NO TWITTER!

Falo de música lá também, entre outras coisinhas. Siga-me: www.twitter.com/jotaabreu

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Nossa... teve quase 2 mil visitas o meu último post. Me parece que falar de gente da Bahia é um bom negócio... rsrsrsrs... brincadeira.

Mas coincidentemente falarei mais uma vez de uma cantora baiana. Desta vez Daniela Mercury. Não será uma crítica. Mas apenas vou partilhar uma história antiga... Vamos a ela...


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Entrando na adolescência, havia na escola um amigo apelidado de Surfista. Ele tocava guitarra virtuosamente, compunha algumas músicas e sonhava ser um astro da música.
Certa vez, Surfista, eu e mais um amigo planejamos conhecer a rádio da qual éramos ouvintes assíduos. Chegando tímidos, comunicamos à recepcionista o desejo de conhecer as instalações e os locutores de um programa de humor que adorávamos. Não sem surpresa, ouvimos a moça dizer: “Tudo bem. É só esperar a Daniela Mercury sair do estúdio, aí vocês podem entrar”. Na época, a cantora vivia o boom de sua carreira, e sequer sabíamos da sua presença na cidade. Pegamos alguns papéis, emprestamos caneta e ansiosos ficamos num corredor estreito esperando-a passar.

Ao sair do estúdio, logo um grande número de pessoas a cercou e tivemos algumas dificuldades de chegar perto. Finalmente consegui meu autógrafo. Vi que meu outro amigo também havia tido êxito. Só não conseguia enxergar o Surfista. Onde estaria?

A Daniela Mercury estava acabando de se desvencilhar dos fãs que a cercavam. Prestes a entrar no carro, a cantora vê o Surfista pular assustadoramente à sua frente, segurá-la pelos ombros, olhar em seus olhos e chacoalhá-la dizendo: “Daniela. Meu nome é Thiago Castro. Guarde esse nome. Eu vou fazer muito sucesso um dia!”. O outro amigo e eu não sabíamos onde nos esconder. Todos ficaram espantados. E a baiana respondeu apenas: “Se Deus quiser...”

O desejo do Surfista era ser famoso com a música. Mas a frase dele foi “vou fazer sucesso”, e não “vou ser famoso”. E sucesso ele teve. Hoje, mora em Brasília, trabalha com informática e ainda tem projetos musicais, porém para contentamento próprio. Agora o seu sucesso é particular, sem depender do glamour e da mídia para se sentir satisfeito.

Qual é o conceito de sucesso a ser adotado? Fama ou felicidade? Prestígio ou satisfação? Definitivamente, o sucesso não está condicionado à fama e dinheiro. Talvez essas coisas levem algumas pessoas a encontrar felicidade e satisfação. Mas não são as únicas vias para se chegar nesses objetivos. Felicidade e satisfação estão muito mais ligadas a fazer o que gosta e estar de bem consigo mesmo. Como jornalista, também me considero um homem de sucesso. Embora não tenha alcançado alguns anseios juvenis, vejo que as dificuldades me levaram a ter algo mais precioso: a satisfação de saber que (bem ou mal) as coisas aconteceram como deveriam ter acontecido. Oxalá esse também seja o pensamento de quem lê essa história.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ivete Sangalo - O Roberto Carlos de saia



Seria ela a substituta?



Era um domingo, batizado da Ana Luiza (minha filha) e fomos fazer um almoço na casa de uma das minhas irmãs. Como a Ana Luiza dormiu no meu colo e a bagunça tava rolando solta (família reunida, já viu, né), me fechei na sala de TV e mudando os canais, parei no Multishow. Estava passando o DVD novo da Ivete Sangalo feito para o canal, chamado “Multishow Registro – Pode Entrar”.


Certa vez, num outro blog que eu tinha (ele ainda existe, mas nem escrevo lá), falei sobre a Ivete Sangalo: “Essa moça desperdiça a melhor voz e talento do país cantando axé”. Esse “axé” que falei, acho necessário especificar um pouco mais... vou tratá-lo aqui de “Música Pra Pular Brasileira”, a MPPB. Trocando em miúdos, coisas do tipo: “Aê, Aê, Pererê, Com Você. Aá, Aá, Tralalá, Vamos Pular. Tira o pé do chãããooo”. Considerações dadas. Voltemos ao sofá da casa da minha irmã...


Comecei a ver o especial da Ivete justamente por achar que ela é a cantora com o maior potencial de ser lembrada na história como a melhor deste momento que vivemos. Só não acho que ela já mereça isso. Andei vendo que vários blogs escreveram sobre este mesmo assunto que estou falando, e um deles falou algo que concordo: Me diga com propriedade, sem fanatismos de fã (com o perdão da redundância), qual disco da Ivete Sangalo vai ser uma referência histórica da MPB daqui vários anos? E por que? Eu, até mesmo por não ser fã dela, respondo sem pestanejar: nenhum. Mas esse “Pode Entrar” quaaaase consegue isso. E talvez seja o passo mais concreto que ela deu para conseguir isso num futuro.


É até um pouco contraditório. Ela canta muito. Tem uma musicalidade impressionante. Boa compositora. Tem carisma indiscutível. Então por qual motivo o nome da Ivete Sangalo ainda não está nos anais da música brasileira, como está o de Elis Regina (por exemplo)? Tenho uma resposta, que talvez seja a correta: ela canta muitas banalidades. Tem “ae ae” demais e pouca poesia. Conteúdo muito fraco. Mas, mais uma vez: “Pode Entrar” começa a derrubar esse estigma da Ivete. Mas, apenas começa...


Minha tese é de que ela é o Roberto Carlos de saias e baiano. E por dois motivos que vou tentar exprimir bem:


Primeiro: Ela é bem popularesca.

A Ivete Sangalo “canta o que o povo quer ouvir”. Ela põe todo mundo pra dançar, pular, levantar poeira. E não fala nada de interessante. Não coloca as pessoas pra pensar. É SÓ diversão. E definitivamente, sou do time “a gente quer comida, diversão e ARTE”. Mas refletindo um pouco mais, na época em que era líder da Jovem Guarda, o Roberto Carlos era um produto mais vendável até do que a Ivete é hoje. E cantava músicas tão (ou mais) fúteis que ela. E, confesso, hoje acho muitas delas geniais. “O broto quis andar no calhambeque, bib dubiu, dubi dubiii” é fantástico... Talvez daqui uns 30, 40 anos, um blogueiro metido a entendido escreva que “Levantou Poeiraaaa” também é genial. E quando isso acontecer, talvez a Ivete esteja sentada num banquinho, apenas com violão cantando umas baladas “recheadas de conteúdo”.

Mas vamos ao segundo motivo, que acho mais interessante.


Segundo: Ela é conciliadora.

É neste ponto que se firma a minha tese de que a Ivete será o que o Roberto Carlos é hoje. Vamos pensar: daqui uns anos, por razões óbvias do tempo que não para de passar, não teremos mais o “Rei”. Minha opinião é que esse lugar será ocupado pela Ivete Sangalo, EXATAMENTE por ela ser uma artista, além de talentosa, boa cantora, compositora e outros eteceteras, conciliadora. E percebi isso mais do que nunca nesse CD/DVD “Pode Entrar”.


TODOS os brasileiros estão acostumados a ver o Especial de Fim de Ano do Roberto Carlos, e as maiores novidades sempre são as participações especiais. Ele já cantou com os clássicos Milton Nascimento, Tom Jobim, Gal Costa. Com rockeiros Titãs e Jota Quest. Sertanejos Almir Sater, Sérgio Reis, Chitãozinho & Xororó. Sambistas Neguinho da Beija-Flor e Alcione. Mas também já dividiu vocais com podreiras do naipe de MC Leozinho (Ela só pensa em beijar).


A Ivete, neste novo trabalho, tem como convidados nomes fortes como Lulu Santos, Marcelo Camelo e uma diva: Maria Bethânia. Tem também um cara chato, que era esperado, pois canta como substituto dela: Saulo Fernandes, da Banda Eva. Tem ainda o Carlinhos Brown (compositor de 3 músicas do DVD) e a irmã da Ivete, Mônica de San Galo (assim separado mesmo) que canta muito bem. A surpresa fica por conta da banda de forró-ultra-giga-mega-blaster-brega “Aviões do Forró”. Quando você imaginou ver Maria Bethânia e Aviões do Forró no mesmo DVD? Quero deixar MUITO CLARO que não gosto nada de Aviões do Forró. Mas esse estilo representa sim parte da cultura nacional, especificamente da região nordeste do país, que tem características culturais muito peculiares.


Essa coisa conciliadora da Ivete Sangalo tem dois possíveis destinos. Se for um, não será o outro. Ou a baiana jamais vai conseguir ser respeitada pelo que se considera uma música “intelectual”, a MPB de fato. Ou ela vai elevar essa podreira de forró nojento ao nível de “música respeitável”. Prefiro acreditar que vai acontecer igual com o Roberto Carlos: a parceria se dá apenas para demonstrar simpatia. O Rei continua no auge. E o MC Leozinho? Alguém viu?


Sobre o DVD em si.

Gostei BASTANTE de algumas músicas. Cito e recomendo:

“Teus Olhos” – Com um quê de música havaiana, melodia doce, que já tem se tornado uma característica do Marcelo Camelo, o compositor da música.

“Meu maior presente” – Composição de Ramon Cruz. Belo arranjo, harmonia bem construída. Ivete cantando bem legal, acompanhada de backings muito bem arranjados. Refrão interessantíssimo. Vídeo Abaixo!

“Completo” – Ivete canta com a irmã Mônica de San Galo. As duas cantam muito bem uma música de letra doce, poesia bem construída e som agradável.

“Viver com Amor” – Mais uma do Ramon Cruz. Uma música agitada, até vai no estilo MPPB, mas é eficiente.

“Vale Mais” – embora tenha a participação nada importante de Saulo Fernandes, é uma boa música.



sexta-feira, 26 de junho de 2009

Who's Dead?

"Michael Jackson is dead!"
"Who's Dead?..."

É... não dá pra acreditar quando se vai um desses ícones. E não poderia deixar barato...
Michael Jackson é estranho, excêntrico, às vezes dá medo de pensar nele. Mas é uma estrela. Um cara que foi muito mais artista do que celebridade. Quando criança, me lembro demais de ver "Black Or White" na TV. Que clipe sensacional. E que música... vai deixar saudades...

Michael Jackson misturou 3 elementos: Pop, Rock e Black Music (Soul e Funk) de uma forma incrível. As misturas de ritmos, em geral, acabam privilegiando um ou outro ritmo. Mas Michael Jackson foi 100% Pop, 100% Rock e 100% Soul/Funk. E com uma competência de poucos. Suas músicas são dançantes, empolgantes e não são medíocres como as de Britney, Justin e outros atuais ídolos pop...

Michael também dançou. E quem de nós nunca tentou dançar como ele? Quem nunca quis imitar Michael? Claro... todos queríamos ter aquele talento. E ele sempre cantou ao mesmo tempo, sem comprometer seu desempenho como vocalista... a Joelma do Calypso deve aprender com ele.

A MTV deve (E MUITO) a Michael Jackson e sua ousadia de fazer super-clipes com produções totalmente cinematográficas. Hoje, no mundo todo (até no Brasil) leva-se muito a sério a produção de um clipe, graças a "Thriller".

Infelizmente ficou muito tempo sem produzir muita coisa. Ou quase nada. Ou o que produziu foi quase irrelevante. Sobre isso, escrevi um texto há alguns anos por ocasião de sua absolvição em 10 acusações, num outro blog que eu tinha. O texto também foi publicado no jornal Cruzeiro do Sul (Sorocaba) e reproduzo ao final deste. Esperava por essa sua volta. Queria vê-lo dançando (talvez não tão bem) e cantando (também). Queria vê-lo sorrir, ainda que com aquela face medonha. Mas queria vê-lo na música. Queria vê-lo longe dos escândalos... queria vê-lo em paz.

Mas quando foi que Michael Jackson teve paz? Quando Michael deitou sua cabeça no travesseiro sem sequer uma preocupaçãozinha? O cara sempre foi criticado, teve suspeitas contra si, incontáveis problemas de saúde, entre outras coisas. Espero agora, que esteja em paz.

E espero ainda mais, que outro Michael apareça. Pois não quero ter que sobreviver de Britneys, Justins, Beyoncés, etc...

RIP Michael Jackson!



14 de junho de 2006

Pó’pular essa parte aí de justiça. Vamos direto para o pop!

Esse texto aí é sobre um tal de rei de um tal de pop...

Dez acusações contra o pop mundial. Ele foi absolvido. Os fãs comemoraram, atribuíram a Cristo a decisão judicial e, exaltados, entoaram sucessos. Afinal de contas o pop poderia ficar cercado por paredes em pouco mais de 4 metros quadrados, acompanhado apenas de uma cama e um vaso sanitário, onde ele poderia depositar suas necessidades fisiológicas e o seu passado. Porém, o pop jamais perde e ele continua livre para assustar a todos com o seu Terror (ou com sua cara feia), para voltar aos morros cariocas, para balançar bebês de sacadas de hotéis, para tomar remédios que mudam a cor da pele, para brincar em seu quintal e talvez se divertir inocentemente (a justiça disse isso) com seus mais jovens fãs.

Por mais que queiram derrubar o pop, jamais conseguirão já que ele tem o apoio popular. Ao seu lado está o público, a platéia, o povo. Alguém se lembrou de que os jurados também são platéia do pop? Ao final do julgamento, o juiz subiu na mesa, as testemunhas fizeram street dance, e o pop reinou absoluto mais uma vez ao som de Beat It: "Ninguém quer ser derrotado... Não importa quem está certo ou errado... Eles estão lá fora para te pegar. Melhor sair enquanto pode. Não queira ser um menino. Queira ser um homem... Cai fora, cai fora!"

O pop está aí. Idolatrado por não fazer nada. Ele devia ser preso por não fazer mais músicas boas. Por ser demasiado pop. E o que o pop vai fazer agora? Vai ouvir o rock de Elvis e Beatles? Até que ponto é bom ser pop? Até que ponto o pop gosta de ser pop? Até que ponto o pop gosta do pop?

Jota - ouvindo Elton John

http://jotaabreu.spaces.live.com/blog/cns!4AFAF7F3E1521D5E!129.trak




quarta-feira, 10 de junho de 2009

Os sacos de plástico não morrem






Me parece mesmo que quem é vivo sempre aparece. Os Titãs reaparecem depois de seis anos sem um disco de inéditas e apresentam “Sacos Plásticos” (Arsenal Music – R$ 27), produzido por Rick Bonadio, famoso por trabalhar com artistas diversos e populares demais como NXZero, ET e Rodolfo, Rouge, Bro’z, Mamonas Assassinas, entre outros. Em contrapartida, Bonadio também já trabalhou com Ira!, Charlie Brown Jr., e alguns outros sons audíveis.


A intenção principal da banda foi revisitar com frescor as influências que eles mesmos criaram ao longo de 27 anos de carreira. Claramente “amor” é o tema desse novo trabalho de Branco Mello, Charles Gavin, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto.


A começar por “Amor por dinheiro”, a faixa que abre o CD. Essa não é do tipo romântica. Pelo contrário, Sérgio Britto grita (no seu melhor estilo) “acima da lei de Deus, o dinheiro!”. Ouvindo a música já fica nítida a sensação de que os Titãs de fato voltaram. Ao mesmo tempo nota-se a novidade: a banda incorporou elementos eletrônicos, quase que em substituição à bateria. Embora seja uma ótima canção, esta é uma das faixas onde falta a força de Charles Gavin, como eles próprios dizem, o “motor da banda”. A esperança fica para quando ela for para o palco, onde apenas os cinco irão executar as músicas, assim como aconteceu no CD.


“Antes de Você” (ouça no fim do texto) é a faixa com mais apelo comercial, e que por isso rende algumas comparações com as bandas de emocore. Embora seja razoavelmente chorosa, é um rock firme, com guitarras marcadas e apenas alguns arranjos da introdução parecem mal colocados. Importante ressaltar, há cerca de 1 ano, a MTV mostrou um especial com os Titãs em estúdio se preparando para esse disco, e “Antes de Você” tinha outra cara. Era mais madura e tinha uma melodia elaborada. A atual versão é boa, mas a antiga era muito melhor. Por não ter a cara dos Titãs (e sim do Paulo Miklos) destoa do conceito do disco.


Em seguida os Titãs apresentam a faixa-título. “Sacos Plásticos” é um ska em tom menor, que fala sobre o consumo exacerbado que muitas vezes transforma pessoas em objetos. Mais uma vez as programações se sobressaem em relação à bateria. Uma pena. Vale muito pelos riffs de Tony Bellotto. No disco todo o guitarrista se supera e volta a criar linhas geniais para harmonias simples, como fez em grandes obras como Cabeça Dinossauro (1986), Jesus não tem dentes no país dos banguelas (1987) e Õ Blesq Blom (1989). Bellotto não é um guitar hero, assim como os Titãs nunca foram exímios instrumentistas. Mas da mesma forma que a banda, ele surpreende com uma criatividade empolgante.


“A Estrada” finalmente traz o som heavy dos Titãs. Dessa vez Charles Gavin desce o braço na batera. E a novidade fica por conta da brilhante condução do (tradicionalmente) tecladista Sérgio Britto em um baixo bem equalizado e dosado para o que o rock pede.


Outra canção de peso é “Agora Eu Vou Sonhar”. Embora pareça ter saído do bom “Eu Sou 300” (2007), último álbum solo de Sérgio Britto, os berros semi-desafinados em palavras como “escravize” e “despedace”, transparecem com muita veracidade o alívio dos negros com o “fim” (será que acabou?) do preconceito racial. Bellotto mais uma vez é brilhante na linha que conduz a canção. Destaque para o “Hey ho, let’s go” em alusão aos Ramones, e para o áudio do discurso “I have a dream” de Martin Luther King.


O momento alto astral do disco é “Quanto Tempo”. A poesia-reflexão de meia-idade de Tony Bellotto ganha um plus em uma melodia grudenta. O refrão (O tempo passa tão depressa / Logo acaba, mal começa/ Eu tenho pressa / Não vou olhar pra trás) fica impregnado na mente de quem ouve. É a primeira vez que os três vocalistas dividem uma canção.


Duas faixas chamam a atenção pela ousadia nas tais programações: “Problema” e “Múmias”. A primeira é uma parceria de Paulo Miklos com Liminha e o ex-titã Arnaldo Antunes. Lembra as boas dissecações de Arnaldo sobre apenas uma palavra, neste caso, o título. Já a segunda faz uma brincadeira irônica com o fato de que a banda vive cantando suas músicas antigas. Nas duas, cantadas por Paulo Miklos, os elementos eletrônicos agora sim estão na medida, e lembram grandes canções da banda como "Comida", "Miséria", "Diversão", etc. Pode-se inclusive ouvir um backing gritando “O quê” em uma delas.


Presente naquele especial da MTV de 1 ano atrás, “Não espere prefeição” também sofreu alterações. Mas neste caso para melhor. O estilo pesado também está presente nesta música que tem um pequeno desacerto: o solo de guitarra da introdução usa um som trêmulo muito chato. A exemplo de “A estrada”, esta música está em um tom mais baixo do que tradicionalmente Branco Mello costumava cantar. Mas a melhor dele é “Deixa Eu Entrar”, assinada por Britto, Bellotto e Andreas Kisser (Sepultura), que também toca na faixa. Branco volta a fazer a voz cavernosa beirando o gutural, a qual não fazia desde os tempos de Titanomaquia (1994). Ouvidos atentos para o solo de Andreas. Britto também toca baixo nessa.


Se o tema do disco é amor, e os Titãs de ultimamente andavam fazendo boas baladas, elas não poderiam faltar neste novo disco. A duas mais bonitas têm arranjos de cordas gravados Nashville. “Por Que Eu Sei Que É Amor” traz um hammond suave com um agradável violão de aço na introdução. Os Titãs se refinaram com acordes com sétima aumentada. Mais um refrão que gruda na memória. Talvez pudesse ter sido a melhor escolha para primeira música de trabalho. A outra com cordas é “Deixa Eu Sangrar”. Uma emocionante interpretação de Sérgio Britto para uma canção composta por ocasião do falecimento de sua mãe em 2007. A letra parece servir também para o fim de uma relação amorosa. Destaque para os backings de Paulo Miklos.


Ponto negativo para duas músicas: na introdução de “Quem Vai Salvar Você do Mundo?” um arranjo fraquinho de piano que vai e volta em três notas acompanha boa parte da música. Ela também tem as cordas de Nashville e só vale escutar inteira por causa disso. O problema é que depois da frase “se a vida é para mais ninguém”, vem um breque que parece anteceder um final apoteótico, como aquele de “Nem 5 Minutos Guardados”. Mas o que vem em seguida é exatamente aquele pianinho da introdução. Outra fraca é “Nem Mais Uma Palavra”. Um reggae que em alguns momentos lembra The Police. Mas só em alguns momentos. A letra é fraca e a música dá sono.


Enfim, “Sacos Plásticos” é um disco muito mais titânico do que os dois últimos de inéditas que a banda fez. Individualmente todos eles foram muito bem nas gravações e com muito êxito conseguiram fazer um grande disco. Mas ficaram um pouco escondidos atrás dos samplers de Bonadio. Vale pensar que a inovação está exatamente na experimentação. Mas o exagero é o único pecado desse que poderia ser um álbum épico. Contudo como os próprios Titãs advertem: “não espere perfeição”. E a imperfeição sempre foi o grande charme da mais importante banda do rock brasuca.


Ouça "Antes de Você" como era antes da gravação original (Bastidores MTV - Créditos: Lismar)


Titãs - Antes de Você (antes da gravação final)


Ouça "Antes de Você"


Titãs - Antes de Você


Veja os Titãs em estúdio



Cenas da gravação do clipe de "Antes de Você"


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vídeo Pedro Mariano e César Camargo Mariano

Olá Pessoal!

Vai um vídeo do show do Pedro Mariano e César Camargo Mariano que eu escrevi há um tempo atrás (é só rolar pra baixo e ver o texto).

Abraço!


terça-feira, 26 de maio de 2009

Só pra confirmar

Apenas confirmando o meu post anterior sobre o Padre Fábio de Melo, vai um vídeo da Globo.Com do canal GNT.


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um Deus que seduz!



De uns anos para cá, estamos sofrendo com a onda de artistas religiosos dominando a grande mídia. Eles vendem muitos discos, livros, aparecem em programas de TV, e às vezes até fazem os seus próprios.

Vou falar aqui sobre a grande mídia veicular música religiosa. Escrevo dessa vez, mais do que apenas pela música, mas por 3 atributos que me credenciam a falar sobre o assunto: 1) Sou jornalista e comunicador; 2) Sou um músico amador (inclusive toquei na Igreja por muito tempo); e 3) Sou católico.


Ver aquilo que chamamos de “Palavra de Deus” atingir a muitas pessoas sempre foi (e continua sendo) um anseio meu. Mas esse conteúdo jamais pode ser comprometido por superficialidades. Mas já já eu volto nesse assunto.


O pioneiro foi José Fernandes de Oliveira, o padre Zezinho. Ele é um cara muito artístico com grandes noções teatrais e musicais e que escreve de forma muito admirável. Ele jamais tornou discutível o seu sacerdócio e aquilo que isso representa, em nome da sua arte. Fez o que devia ter feito.


A partir do momento que alguns padres passaram a querer dar “show de talento”, (muitas vezes inexistente) o caminho aberto pelo Zezinho se desvirtuou.


O Padre Marcelo Rossi é um cara do qual não duvido ter boa intenção. Ele quis levar mesmo a “Palavra de Deus” para as pessoas. Mas além de não ser nada artista, ele se sujeitou a fazer algumas coisas que expuseram a instituição “Igreja Católica” a situações vergonhosas. Me lembro de vê-lo cantando no “Planeta Xuxa” ao lado das paquitas com os seios de fora. Ou ainda se prender numa roda louca em um “Teleton” no programa do Gugu, e virar de cabeça para baixo... Alguém pode me responder como ele evangelizou fazendo isso?


E o cara do momento é o campeão de vendas Padre Fábio de Melo. Além de cantor e compositor (de qualidade duvidosa) ele tem uma formação acadêmica extensa, que o credencia para escrever os seus 6 livros. É pós-graduado em educação e mestre em antropologia teológica.


Pra começar. Detesto antropologia. Principalmente essa aplicada às empresas. Luiz Almeida Marins Filho (de quem também não gosto) me falou dia desses numa entrevista que “antropologia é a ciência da observação”. Na minha visão, é observação para depois manipular. E me parece que o Padre Fábio tem feito isso com os fiéis.


Acho pobre o conteúdo dele (assim como o dessas palestras motivacionais). Tudo manjado, tudo óbvio, mas com uma maquiagem de novo, de esplendor, de impressionista. Aliás, maquiagem é bem a faceta do padre. A capa do CD “Enredos do meu povo simples” (2007) é de dar nojo. A pose dele é compreensível se fosse um disco do Alexandre Pires ou do Fábio Jr. Não o disco de um padre! Deixando a música um pouco de lado, e falando da Igreja: muitas vezes vi gente dizer que as mulheres dão em cima dos padres. No caso desse, ele me parece tentar provocar isso na barba fininha, nas bocas entreabertas, olhares penetrantes, botox, pó, base, etc. (Vide Google Imagens – Fabio de Melo) Ao ver a capa do “As estações da vida” (2001), quando ele ainda era seminarista, não consigo imaginar que ele tentou evitar ser “sensual”. Vaidade (atributo que ele admite ter) é pecado segundo alguma passagem bíblica que não me vem à memória agora. Se o padre não quer atrair as mulheres (ou quem quer que seja), qual a finalidade disso tudo? Isso me lembra o convite do Raul Gil ao padre, na ocasião de sua visita ao programa da Band. Como de costume, o apresentador leva os artistas em uma churrascaria. Mas com o nome do lugar, ficou estranho o convite feito a um sacerdote. “Padre, vamos hoje ao Prazeres da Carne?”.


Durante a confecção deste texto, coincidentemente tive uma descoberta ainda mais absurda. A sua música “Vida” faz parte da trilha sonora da novela “Caras e Bocas” na Rede Globo! A novela das sete é tradicionalmente conhecida por humor e sensualidade.


Talvez ele tenha a desculpa da Evangelização. Mas não acho que a Palavra de Deus precise de um padre bonito, maquiado e sensual para ser propagada. Ela não precisa estar na novela das sete. Não é necessário gravar CD’s, DVD’s, superproduções, canhões de luz, fumaça artificial, guitarras estridentes, etc. Isso é acessório e não pode comprometer a Palavra de Deus. Foram mais de 2000 anos sem precisar de toda essa parafernalha e por que a partir de agora isso seria indispensável?


Padre Fábio de Melo, onde vamos parar? Quando vamos deixar de jogar pérolas aos porcos? Evangelização é uma coisa. Banalização da imagem da Igreja é outra! Em Jeremias, capítulo 20, a bíblia afirma que Deus seduz. É Deus quem seduz, padre. Ouviu bem? DEUS!



PS: Falei tanto sobre religião que acabei esquecendo de falar sobre música. Exceto o seu primeiro disco, o padre compõe e canta mal pra caramba... ao vivo, é deprimente ver o quanto ele desafina.